A hérnia em pacientes com cirrose hepática é um problema desafiador, agravado pela ascite e riscos cirúrgicos. O tratamento exige planejamento minucioso para garantir segurança. Entenda a relação entre essas condições, as opções de manejo e os cuidados necessários para minimizar complicações. Entenda mais sobre esse assunto!

Pacientes com cirrose hepática frequentemente desenvolvem hérnias, como umbilicais e inguinais, devido ao aumento da pressão abdominal causado pela ascite.
Essa combinação apresenta desafios significativos, especialmente no manejo cirúrgico, devido ao risco elevado de complicações. O tratamento deve ser cuidadosamente planejado para equilibrar benefícios e riscos.
Neste artigo, abordaremos a relação entre hérnia e cirrose hepática, as opções de tratamento disponíveis e os cuidados essenciais para esses pacientes. Leia até o final e saiba mais!
A relação entre hérnia e cirrose hepática: como uma condição agrava a outra
A cirrose hepática é uma condição crônica caracterizada pela presença de dano irreversível ao fígado e que em estágios mais avançados leva ao desenvolvimento de ascite, o acúmulo de líquido no abdômen.
A presença de ascite leva a um aumento da pressão abdominal e enfraquece as paredes musculares, predispondo à formação de hérnias, especialmente na região umbilical.
Estima-se que cerca de 20% a 40% dos pacientes com cirrose e ascite desenvolvam algum tipo de hérnia.
As hérnias em pacientes cirróticos são particularmente preocupantes devido aos seguintes fatores:
- Ascite persistente: A presença de líquido aumenta o risco de crescimento da hérnia e complicações, como encarceramento ou estrangulamento.
- Fragilidade da parede abdominal: A fraqueza muscular dificultada pela baixa produção de proteínas agrava a condição.
- Coagulopatia: Pacientes com cirrose frequentemente apresentam problemas de coagulação, aumentando os riscos de sangramentos em caso de cirurgia.
Além disso, o estado geral debilitado do paciente e a presença de complicações da cirrose, como encefalopatia hepática, podem dificultar o manejo clínico e cirúrgico.
O diagnóstico precoce e um acompanhamento médico rigoroso são essenciais para evitar complicações graves e melhorar a qualidade de vida desses pacientes.
Opções de tratamento para hérnia em pacientes cirróticos: quando a cirurgia é necessária
O manejo da hérnia em pacientes com cirrose hepática exige um equilíbrio delicado entre tratar a hérnia e evitar complicações associadas à condição hepática.
Tratamento conservador:
- Indicado para hérnias pequenas e assintomáticas.
- Foco em controlar a ascite com diuréticos e restrição de sódio para reduzir a pressão abdominal.
- Uso de cintas abdominais pode aliviar desconforto e prevenir agravamento.
Indicação cirúrgica:
A cirurgia é recomendada quando:
- Há encarceramento ou estrangulamento da hérnia.
- O paciente apresenta dor intensa ou risco iminente de complicações.
- A qualidade de vida é significativamente comprometida.
Considerações para a cirurgia:
- Paracentese pré-operatória: Drenagem do líquido ascítico para reduzir a pressão intra-abdominal.
- Estabilização clínica: Otimização da função hepática antes da cirurgia.
- Grau de disfunção hepática: Pacientes com função hepática pior têm mais risco de complicações que os com função preservada.
Embora a cirurgia seja frequentemente eficaz, o índice de complicações, como infecções e recidiva da hérnia, é maior nesses pacientes.
Portanto, o tratamento deve ser personalizado, com uma equipe multidisciplinar acompanhando o caso.
Cuidados pré e pós-operatórios em pacientes com cirrose e hérnia: como minimizar os riscos
O sucesso no manejo de hérnias em pacientes com cirrose depende de um planejamento rigoroso e cuidados especializados antes e depois da cirurgia.
Cuidados pré-operatórios:
- Avaliação médica detalhada: Inclui função hepática, coagulação e estado nutricional.
- Controle da ascite: Uso de diuréticos e, se necessário, paracentese para aliviar a pressão abdominal.
- Otimização nutricional: Dieta rica em proteínas para melhorar a cicatrização.
- Abordagem multidisciplinar: Envolve hepatologistas, cirurgiões digestivos e anestesistas experientes.
Cuidados pós-operatórios:
- Monitoramento rigoroso: Atenção à ascite, sinais de infecção e função hepática.
- Gestão da dor: Uso controlado de medicamentos, evitando aqueles que possam prejudicar a função hepática.
- Prevenção de complicações: Inclui medidas para evitar infecção na ferida e recidiva da hérnia.
- Acompanhamento nutricional: Suporte contínuo para promover a recuperação.
A recuperação pode ser mais lenta em pacientes cirróticos, mas com os cuidados adequados, é possível reduzir os riscos e alcançar bons resultados.
A colaboração entre especialistas e o envolvimento ativo do paciente no processo de tratamento são cruciais para o sucesso.